Uma trajetória
de luta
Com mais de 20
anos de existência, o Sindiágua
resultou do processo de organização
dos trabalhadores da Cagece na busca
de uma alternativa para frear a intenção
do governo do Estado de não enquadrá-los
em lei prevendo reajuste para a categoria.
À época, sentiram a necessidade
de criar uma entidade que os representasse
e defendesse seus interesses.
Assim nasceu, em
1983, a Associação dos
Trabalhadores da Cagece de Fortaleza,
que em assembléia geral ocorrida
em setembro de 1984, na sede da Cagece,
seria transformada em sindicato, seguindo,
desde o princípio, uma trajetória
de lutas e desafios.
Os passos seguintes
da entidade classista foram defender
a implantação de um Plano
de Cargos e Salários na Cagece
e a realização de concurso
público, o que foi possível
em 1985, rompendo com a prática
de ingresso na empresa através
do clientelismo eleitoreiro reinante
naquele período.
Em 1987, veio a
primeira grande vitória da entidade:
a implantação do Plano
de Cargos e Salários. Ainda no
mesmo ano, liderados pelo Sindiágua,
os trabalhadores da Cagece fizeram a
primeira grande greve da categoria,
obtendo 50% de reajuste em seus
salários.
O ano de 1991 foi
marcado pela campanha extraordinária
que expôs para a população
a vulnerabilidade no sistema de abastecimento
de água na Região Metropolitana
de Fortaleza. O alerta feito pelo Sindiágua
viria a se confirmar em 1993, quando
a escassez de água provocou verdadeira
crise na RMF e, em 90 dias, foi construído
o Canal de Trabalhador, obra oriunda
da imprevidência do governo do
Estado.
Em nível
nacional, o Sindiágua foi pioneiro
na luta contra a privatização
da água e em 1995 promoveu em
Fortaleza Seminário Internacional,
objetivando fomentar a discussão
dessa problemática. Em 1996,
outra grande conquista: consegue barrar
a privatização da Estação
de Tratamento de Água (ETA),
localizada no açude do Gavião.
A entidade foi,
também, responsável pela
realização de pesquisa
com os moradores da RMF, em 1997, na
qual 77% dos entrevistados se posicionaram
contrários à privatização
da água; 12% foram a favor e
11% não souberam responder. No
âmbito interno da Cagece, em 2000
e graças a uma atuação
aguerrida do sindicato, consegui-se
frear o Plano de Demissão Voluntária
(PDV).
Nos dias atuais,
a entidade vem desempenhando uma atuação
que confirma toda a sua história
de lutas em prol de conquistas para
a categoria e da defesa dos direitos
democráticos da sociedade civil.
No ano passado liderou uma greve de
15 dias entre os trabalhadores da Cagece.
Ainda desde 2003, o Sindiágua
vem se posicionando com firmeza contra
o projeto de implantação
da Parceria Público-Privada.
Proposta pelo governo Lula, a PPP prevê
o repasse de atividades essenciais para
a iniciativa privada. Em nível
estadual, outra batalha da entidade
é desenvolvida no sentido de
retirar o setor de saneamento da PPP.
Além disso, o Sindiágua
apóia e participa ativamente
da Campanha da Fraternidade da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
deste ano, com o tema ÁGUA E
FRATERNIDADE e o lema ÁGUA, FONTE
DE DIGNIDADE.